quarta-feira, 25 de maio de 2016

Amamentação e Pós Parto

Durante a gravidez, li diversos relatos sobre amamentação. Então já fui preparada para sentir dores, bicos com bolhas e tudo mais. Fui preparada para um monte de coisa que não aconteceu comigo....
A Gi nasceu 19:18 e fomos para o quarto quase uma hora depois. Meu pós parto foi super tranquilo. A dor que senti foi bem suportável,  já estava andando no mesmo dia, e depois da alta eu já subia e descia escadas em casa, sempre com moderação, pois mesmo eu não sentindo dor, estava toda cortada por dentro.
A enfermeira entrou com a Gi no quarto e me ajudou com a primeira mamada, ela deve ter mamado uns 5 minutinhos no máximo e dormiu. Mais tarde, tentamos novamente, mamou novamente uns 5 minutos e dormiu de novo. Durante a noite nós dormimos e ela dormiu também, não acordamos para dar de mamar (acho que esse foi o meu primeiro erro). No dia seguinte, recebemos muitas visitas, quarto cheio o dia todo (hoje não recomendaria isso). Durante o dia colocava a Giovanna para mamar, ela mamava sempre um pouquinho e dormia. Duas enfermeiras foram me ajudar nesse dia, ficaram mais de uma hora comigo lá no quarto, observaram se a pega estava correta, se o leite já tinha descido (ainda não tinha). Ficamos o tempo todo, tentando fazer ela mamar um pouco mais, estimulamos atrás da orelhinha, tiramos a roupinha, cócegas nos pezinhos, mas era colocar no peito que a bichinha dormia. Acho que meu peito tinha sonífero. Até ai tudo bem, normal o bebê dormir mamando, né? Se ele está mamando o suficiente sim, mas ela não estava. Como eu sabia disso? A pediatra me explicou que devemos observar duas coisas. A primeira é a quantidade de xixi do bebê, quantas fraldas cheias ele está fazendo por dia. A segunda é o peso. Na maternidade os bebês perdem peso, o ideal é que essa perda fique até 10% do peso do nascimento, A Giovanna estava perdendo um pouco mais. Ela também não estava fazendo muito xixi, na verdade seu xixi estava saindo colorido com cristais, o que não era um bom sinal.
Na madrugada ela teve uma crise de choro, demos um pouco de água (porque não estava pegando o peito) e ela se acalmou, logo em seguida fez um cocô enorme! A enfermeira que estava comigo, tentou novamente fazer ela mamar, mas ela estava tão irritada que não pegava nada. Então, nessa hora, a enfermeira querendo ajudar perguntou se poderia dar chupeta para ela. Na minha cabeça eu jamais iria dar, mas naquele momento acabei cedendo. Ela também perguntou se eu não gostaria de testar aqueles bicos de silicone. Para pegar corretamente, o bebê tem que pegar a aureola do peito, não o bico, mas o bico ajuda a estimular o bebe a sugar. Meu bico é quase plano, então resolvi apelar e ver se ajudava. Ajudou! A Giovanna começou a mamar mais e eu fiquei super empolgada!
No dia seguinte, ela foi fazer os exames de rotina não tivemos uma notícia muito boa, o exame de oximetria estava dando alterado. Eu escutei duas palavras, coração e UTI. Não prestei mais atenção em nada e comecei a chorar. Ainda bem que meu marido manteve a calma e prestou atenção. Colocaram ela em observação por precaução, a redução de oxigenação do sangue pode acontecer por alguns motivos:

1. Adaptação da criança do útero para o mundo
2. Cardiopatia congênita

Preferiram deixá-la em observação até que ela fizesse o ecocardiograma e pudessem concluir que não era nada. Então, nesse segundo dia de vida, ela ficou na UTI até as 18 horas. Eu podia ir a cada 3 horas somente para amamentar. Foi um dia que fiquei arrasada.
Quando ela voltou para o quarto, foi só alegria. Ela estava mamando mais (com o bico de silicone) e eu achei que tudo daria certo!!
No dia seguinte, seria a nossa alta, mas não foi isso que aconteceu. A pediatra veio falar conosco que estava preocupara com o peso da Giovanna, pois ela estava emagrecendo mais do que o esperado. Ela disse que preferia que ficássemos mais um dia em observação e nos daria alta somente com translactação. A translactação é um sistema de nutrição suplementar, que estimula o bebê a sugar no peito ao mesmo tempo que ele toma um suplemento (no caso da Gi, o NAN).
Eu fazendo translactação

 Na foto, ela esta mamando no peito, e na sonda que sai da seringa o complemento. Confesso que não gostei muito da ideia, mas era melhor do que tomar mamadeira. Com a translactação ela mamou muito mais e estabilizou o peso. Tivemos então a nossa tão sonhada alta, contanto que eu continuasse com o complemento e fosse no pediatra na mesma semana.
Consegui agendar um pediatra para daqui três dias, e durante esse período continuei firme e forte com a translactação.
Na nossa primeira consulta, ele observou a Gi e pediu para ficar uma semana só com o peito, para ver como ela iria se comportar. Fui para casa esperançosa, tinha certeza que tudo daria certo. Ela chorava de fome e eu colocava no peito, ficava lá mais de 40 minutos as vezes. Depois de 20 minutos,  ela começava a chorar novamente. Será que era fome? As vezes eu achava que não, e a fazia dormir no meu colo ou dava chupeta. Quando estava grávida li um livro chamado "12 horas de sono com 12 semanas", o livro fala principalmente em horários certos para amamentação e choro controlado. A questão da amamentação ficou na minha cabeça, já o choro controlado eu nunca fiz. Não consigo deixar minha filha chorando nem por 10 segundos, imagina por 2 minutos. Resumindo, não leiam esse livro, só serve para colocar minhocas na sua cabeça. Por isso sempre pensava: se ela acabou de mamar, não deve ser fome, ela deveria comer daqui 3 horas.
Uma semana depois voltamos ao pediatra, ela tinha perdido 40 gramas. Ele então indicou o complemento, sempre depois de dar o peito, eu iria oferecer a mamadeira. Me senti péssima, arrasada, destruída. Afinal que mãe que não consegue alimentar o próprio filho?
Comprei a mamadeira pétala, da Avent, para testar. Fiz o indicado pelo médico,  deixei ela mamando no peito, e ela ficou mais de 30 minutos. Depois ofereci a mamadeira. Achei que ela não fosse pegar, mas pegou de primeira e ainda mamou mais 15ml.
No começo eu chorava toda vez que ela acabava uma mamadeira. Depois fui melhorando, eu passava uma semana bem, e um ou dias dias triste (bem tristes, tipo fundo do poço) por causa disso. Se eu estava bem, era só alguém me perguntar sobre amamentação, que eu desabava a chorar. Liguei para meu primo que é pediatra para saber se era aquilo mesmo. Ele me disse que como ela havia perdido peso, era isso mesmo, complementar a dieta dela. Ele ainda me receitou um remédio que ajudava na produção de leite e também melhorava meu humor (gente eu estava muito para baixo). Além disso, fui atrás de uma bombinha, pois tinha lido que estimulava mais a produção de leite.
Depois de um tempo fui me acostumado um pouco com a idéia,  afinal tinha um lado positivo. O Guto também podia alimentá-la, criar um vínculo maior, e eu poderia ter uma hora a mais de sono.
Com cinco meses ela foi para a escolinha, e desmamou de vez. Não foi fácil, chorei mais ainda e pensei em tudo que poderia ter feito diferente.
Durante todo esse período,  agradeço por ter um marido paciente e um super pai para a Gi, porque não é fácil. Eles não podem fazer nada, a não ser serem bons maridos ouvintes e bons pais!
Olhando as fotos do Instagram/Facebook das novas mamães, tudo sempre parece um conto de fadas,  mas normalmente não é. Muitas vezes eu nem gostava de desabafar com outras pessoas,  porque muitas delas não ouvem, somente opinião e criticam as suas decisões, não conseguem se colocar no seu lugar. Se eu dei chupeta, se deixei ela dormir mais e não acordei para mamar, se eu não tentei só o peito por mais tempo, se eu não comi canjica para ter mais leite, FODA-SE.
Hoje o que realmente importa é que tenho uma filha saudável e linda para alegrar os meus dias, e eu sei que ela me acha a melhor mamãe do mundo (mesmo eu não achando isso).

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